Home / MINHAS HISTÓRIAS / TRISTEZA E ANSIEDADE PÓS MATERNIDADE

TRISTEZA E ANSIEDADE PÓS MATERNIDADE

arquivo-22-09-16-19-59-56

Esse mês comemora-se o Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. O clima é pesado, ninguém gosta de tocar nesse assunto. Mas ele é um mal que assola nossa sociedade e precisamos encarar o problema de frente. Se você conhece alguém que precisa de ajuda, procure:  http://www.setembroamarelo.org.br/

O texto de hoje não fala sobre suicídio propriamente dito, fala sobre como identificarmos a tristeza, que se torna ansiedade, depois depressão e assim por diante. Precisamos nos unir contra esses sentimentos. Avante mulherada!

Direto a ponto:

De acordo com a OMS, mais de 121 milhões de pessoas no mundo sofrem com algum distúrbio emocional.  Desses, nós somos 2 vezes mais propensas que os homens para sermos  diagnosticadas com transtorno de ansiedade generalizada e/ou  transtorno do pânico. E, pasmem, após nos tornarmos mães essa probabilidade aumenta.

Amigas, pode ser pior. Apesar de sermos as mais atingidas, o diagnóstico só é fechado entre 9 e 12 anos. Oi? Isso mesmo, você teve seu bebê, uma melancolia bateu à sua porta, ela se estendeu, tranformou-se em ansiedade/pânico/depressão e só anos (muitos anos) mais tarde -isso se você procurar ajuda – é que algum médico decide dizer o que realmente lhe acometeu e tratá-la como deve.

A pergunta: Porque estamos esperando mais de uma década para pedir ajuda?

Parte do problema é que, enquanto há um milhão de outras pequenas coisas para serem resolvidas, os NOSSOS problemas – os problemas das MÃES – podem ficar em segundo plano. Nós simplesmente enterremos nossos medos, vergonha, angústia, vulnerabilidade, impedindo  que procuremos as pessoas para nos ajudar e dar suporte.

Preparei uma listinha com 10 itens, que podem te ajudar a reconhecer se você precisa de ajuda JÁ e não daqui a 10 anos.

  1. Ansiedade não é “apenas estresse.”

Estresse é temporário – uma viagem até praia pode resolver seu problema. Ansiedade é para sempre e merece cuidados ESPECÍFICOS. Perceba o quão ansiosa você está, se existe algum motivo explicito e caso não haja resposta para os seus questionamentos, procure ajuda. Num primeiro momento, pode ser aquela amiga que tem bom ouvido, sua mãe, uma tia, mas não enterre seus sentimentos.

  1. As tarefas diárias são um desafio.

e você fica tão preocupada para realizá-los que se sente uma verdadeira idiota ao terminar o dia e perceber que não deu conta da metade das coisas que tinha pra fazer. O pior, lembra-se daquela mulher que você fora um dia e o quão prática era. Deixa eu te contar uma coisa – a mulher que você vê no espelho é soma da mulher de hoje, com a mulher que ficou no passado. É possível encontrar um equilíbrio, se não conseguir sozinha, procure ajuda.

  1. Ninguém te entende.

Muitas vezes você se coloca de uma maneira tão melindrosa que as pessoas acham que você está mais emocional que o habitual. Você está e ninguém pode te julgar por isso. Você está EXAUSTA e só você sabe o peso que isso tudo representa. Se ninguém te der ouvidos, converse com um especialista. Suas neuras tem razão de ser.

  1. Lutamos mais sozinhas do que você imagina.

Podemos estar cercadas de pessoas, filhos, marido, família, mas no fundo nos sentimos sós. Nós somos especialistas em muitas coisas e nos preocupamos tanto em fazer o barco andar, que guardamos nossas lutas num cofre sem senha. Reconhecer a ansiedade, saber quando ela vem, saber o que te faz sentir é um primeiro passo. Não se esconda de você.

  1. Pode ser imprevisível.

Ele chega e repente: um aperto no coração, uma luta contra o relógio, uma vontade de chorar. Você não quer sentir isso, mas sente e isso é o que te assusta mais. Não, não é TPM.

  1. A Ansiedade não é apenas mental, é física.

A Ansiedade tem um jeito engraçado de se mostrar no corpo de uma pessoa, e nos consome toda. Uma vez que o corpo e a mente estão intrinsecamente ligados, sempre que um sofre dificuldades, o outro vai visivelmente sofrer. Não se engane: as doenças emocionais são somatizadas.

  1. Explode por pouco e ninguém entende.

Ninguém entende mesmo. Aquela cueca em cima da cama faz você mandar seu companheiro de volta pra onde ele veio. Os brinquedos espalhados pela casa, te irritam e você grita, parece doida. Em que grau esse repentes tem acontecido? Você agiria assim se fosse só aquela “velha” mulher?

  1. Me deixa quieta em casa.

Você já não vê beleza no espelho, os olhos estão sem cor, sem brilho, sem alegria. Que graça tem encontrar pessoas, quando a vida de todo mundo é incrível e a minha é a mesma chatice de sempre? Me deixa, quero ficar de calça de pijama e meia o dia todo. Uma boa dose de silêncio faz bem também. Com que frequência isso acontece? Uma coisa é querer ficar sozinha, ler um livro, ver um filme se interrupções, outra coisa é se esconder atrás de uma máscara.

  1. A ansiedade pode ser tratada; mas não curada.

Esta é uma triste realidade. Você já adquiriu essa mocinha pra caminhar do seu lado. Ela deve ser muito bem tratada para que não volte à te perturbar e estar atenta aos sintomas é o melhor remédio. Você pode ter tido uma única crise e nunca mais se admitir que precisa de ajuda!

  1. Você, neste momento, é sua melhor versão.

Acredite. Você é a melhor mãe que seu filho poderia ter, a melhor companheira, a melhor amiga, você tem dado o seu melhor e por mais que as pessoas não saibam, não entendam ou não reconheçam, você é sim sua melhor versão. Nunca desacredite do seu potencial, mas não hesite em procurar ajuda, aos poucos sua garra pode minar, os super poderes maternos acabar e então, tudo o que era bom, fica mau, triste. Não permita! Tome as rédeas da sua vida e vá trilhar seu caminho. Encontre as possibilidades – existem muitas – olhe por outros ângulos – a vida é linda e o sol sorri pra você.