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CRIANÇAS E SEUS ÍDOLOS

O único ídolo que tive foi o Brad Pitt. Numa época onde o máximo que eu poderia chegar perto dele, era através das fitas cassetes que alugava repetidamente na locadora da esquina, estava ótimo – sonhava que um dia seria estrela de Hollywood e ele meu marido. Tinha 12, 13 anos. Ele escolheu Angelina Jolie,  eu não sou estrela em Los Angeles e vida que segue.

O Heitor não é estimulado a ter ídolos, muito embora  as crianças de hoje tenham  bastante acesso à informação da vida dos famosos. Vejo as amiguinhas dele colecionarem pastas virtuais com fotos intermináveis da Larissa Manoela, outros seguem os passos do Rezende e a tropa dos Youtubers Manicrafts, tem aqueles que sabem cada passo do Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo e cia.

O Heitor demorou pra admirar alguém. Dia desses num bate papo mãe e filho ele disse que se tivesse que conhecer algum artista seria Matheus e Kauan – totalmente influenciado pelo primo mais velho que gosta de música sertaneja e vive uma vida mais rural. Achei bacana, não eram os astros inalcançáveis do futebol, nem o passe para ver o show de Cúmplice de um Resgate,  era um som que eu também curtia, que iria num show e certamente me divertiria. Esquecemos o assunto.

Sexta-feira passada 21/10 estava à caminho de uma reunião e tocou um som da dupla – Matheus e Kauan – no meu rádio. Estava o maior trânsito e ali, parada, entrei na agenda dos meninos. Para minha surpresa haveria um show no sábado 22/10 numa cidade vizinha à Campinas e onde vivem  grandes amigos nossos. Liguei pra assessoria do evento – vai que eles conseguiriam promover um encontro – eles me cozinharam até sábado às 14h pra dizer que não daria pra ajudar.

Sangue de produtora que tenho, fui atrás do contato da assessoria direta da dupla. Como boa assessora que é, checou meu conteúdo, me respondendo de pronto que haveria uma possibilidade  e começou a trabalhar – SEM ME CONHECER – por puro amor ao trabalho e à um serumaninho que ela nem conhecia. Colocamos o Heitor no carro e dissemos que estávamos indo pra um aniversário, ele dormiu o caminho inteiro e nem desconfiou (vai que não dava certo, não queríamos frustrá-lo).

Às 23h estávamos na porta do show à espera da banda. Heitor acordou e deu de cara com o ônibus que estampava um Matheus e Kauan gigante. Logo, fez cara de espanto e disse: “Matheus e Kauan, eles estão aí?!” e estavam! O  produtor dos músicos foi tão gentil e prestativo que além de permitir que entrássemos no camarim, ainda nos deixou ver o show do backstage.

A entrada no Camarim foi um capitulo à parte – eu sabia que ele gostava dos meninos, mas esperava que ficasse tímido e não EMOCIONADO! A mãozinha ficou fria de repente, os olhos brilharam e o abraço acalorado dos ídolos fez meu pequeno se emocionar.

Foi quando me dei conta que os filhos crescem e passam a admirar pessoas que não somos nós. Ele se sentiu honrado por estar naquela posição e viu honra naqueles que o trataram com tanto carinho.

O show foi muito legal, momento único em família, vendo os olhos do meu filho marejarem várias vezes enquanto ouvia os hits que gostava ao vivo. Nunca mais viveremos nada parecido porque  ele nunca mais verá um show pela primeira vez.

Provavelmente na próxima estação o Heitor terá um novo ídolo, crianças trocam de gostos e enjoam com certa facilidade das coisas, mas nós  – meu marido e eu – nunca mais esqueceremos do Matheus, do Kauan, da Assessora e do Produtor, que unidos, em força tarefa junto à nós, proporcionaram algo muito mais que um abraço – mostraram que um sorriso de criança vale qualquer sacrifício!

beijo, 😉